quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Outras fotos do Laboratório de Arqueologia Peter Hilbert/ IEPA

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Estas são outras vistas da reserva técnica, que tem dois pisos, sendo o segundo vazado, para melhorar a circulação de ar. E uma foto do laboratório úmido.

Venha nos visitar: Av. Feliciano Coelho, 1509 | Trem | Macapá-Ap

Enfim fotos do Laboratório de Arqueologia Peter Hilbert

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A inauguração aconteceu dia 17, mas só agora consegui organizar umas fotos para quem não pode vir. Fica o convite a todos que venham nos visitar!



Uma parede de vidros separa parte do laboratório da reserva técnica, o que permite aos visitantes conhecerem o que há no acervo. Além de ser uma vista inspiradora para quem trabalha em frente!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Inauguração do prédio do Núcleo de Pesquisa Arqueológica do IEPA

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É com grande satisfação que o Núcleo de Pesquisa Arqueológica do IEPA anuncia a inauguração de seu prédio, reformado com recursos do Ministério Públlico Estadual e do Governo do Estado do Amapá, onde está instalado o Laboratório de Arqueologia Peter Hilbert. A inauguração aconteceu na sexta-feira, dia 17 de Dezembro, às 9:00. O prédio está localizado na Avenida Feliciano Coelho nº1509, no centro administrativo do IEPA, em Macapá.

Com a inauguração do prédio, foi aberta também nossa pequena sala de exposição, que tem por meta contribuir para a difusão do conhecimento produzido em nosso projetos. Esta primeira exposição tem como tema uma reflexão sobre a diversidade do patrimônio arqueológico no Amapá, vista através da idéia de ciclo de vida dos objetos.

O prédio conta ainda com salas de pesquisa, biblioteca, laboratório e a reserva técnica, que foi planejada para oferecer aos visitantes a possibilidade de observar o rico acervo arqueológico guardado na instituição.

Venha nos visitar e partilhar conosco esta importante etapa.


Equipe do Núcleo de Pesquisa Arqueológica do IEPA

terça-feira, 29 de junho de 2010

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Na próxima segunda-feira, dia 5 de julho, terá início o II Sítio Escola Arqueológico no Campus Marco Zero da UNIFAP (Univ. Federal do Amapá), em Macapá.
Esta atividade é uma realização conjunta de várias instituições (IEPA, UNIFAP, UEAP, IPHAN e Ministério Público do AP), que através de diferentes caminhos apoiaram sua realização.
As escavações acontecem do dia 5 ao dia 23 de Julho. Participarão alunos do Curso de Especialização em Patrimônio Arqueológico da Amazônia, bolsistas de projetos do IEPA e volutários.
As escavações realizadas durante o I Sítio Escola, em 2008, revelaram nove contextos funerários, todos muito padronizados, marcados no seu topo por aglomerações de lateritas. As urnas cerâmicas tinham decorações variadas, com pinturas, incisões, excisões e apliques, com estilos decorativos de pelo menos três fases arqueológicas já conhecidas para a região. Macapá deve ter sido um ponto de contato importante entre grupos indígenas de diversas áreas.
As escavações a serem iniciadas buscarão delimitar com maior precisão a área de dispersão de material arqueológico, já que a observação em superfície não oferece indícios suficientes.
Esperem por mais notícias da escavação nas próximas semanas!

terça-feira, 9 de março de 2010

Arqueologia Amazônica

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Universidade do Estado do Amapá
Projeto Pedagógico do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu

PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO DA AMAZÔNIA

1 Nome do Curso: ESPECIALIZAÇÃO EM PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO DA AMAZÔNIA

1.1 Área do Conhecimento:

Arqueologia – 7.04.00.00-8

1.2 Forma de Oferta:

Presencial

2 Justificativa do Curso

O patrimônio arqueológico do Estado do Amapá tem sido reconhecido desde pelo menos o final do século XIX como uma riqueza histórico-cultural singular da Amazônia. As pesquisas aqui realizadas revelaram coleções arqueológicas ímpares inseridas em contextos muito bem preservados, oferecendo condições ótimas para o desenvolvimento de pesquisas e demandando cuidado na proteção e preservação do patrimônio arqueológico. Porém, a carência por profissionais qualificados é uma triste realidade no Estado, dificultando a realização de trabalhos intensivos e sistemáticos em todas as regiões do Amapá.

Um curso de especialização com foco no patrimônio arqueológico vem de encontro com esta carência, promovendo a capacitação de jovens pesquisadores e profissionais inseridos em projetos de pesquisa e gestão em arqueologia. Esta ação deve contribuir para a preservação e a promoção do rico patrimônio arqueológico do Estado, fortalecendo a estrutura local de pesquisa, que terá melhores condições para sustentar projetos amplos e duradouros. De forma complementar, a formação oferecida pelo curso também contribuirá na capacitação e qualificação de profissionais voltados para a gestão e musealização de acervos arqueológicos. Além disso, o conteúdo programático oferecido deve contribuir para o fortalecimento na formação de professores que lecionem – tanto em escolas quanto na graduação – cursos de patrimônio arqueológico e história indígena, indo de encontro com demandas da sociedade civil e de órgãos oficiais pela inserção destes conteúdos na formação básica educacional.

3 Histórico do Curso

Esta é a primeira edição do Curso de Especialização em Patrimônio Arqueológico da Amazônia.

4 Objetivos do Curso

4.1 Objetivo Geral

O Curso de Especialização em Patrimônio Arqueológico da Amazônia visa oferecer aos alunos uma capacitação básica em pré-história e arqueologia da Amazônia, fornecendo elementos teórico-metodológicos para participação em projetos de pesquisa e gestão de patrimônio arqueológico, assim como para lecionar conteúdos voltados para pré-história e história indígena do Brasil e da Amazônia em especial.

4.2 Objetivos Específicos

A) Fortalecer o quadro local de técnicos e jovens pesquisadores participantes de atividades de pesquisa e gestão do patrimônio arqueológico através de sólida capacitação teórico-metodológica;

B) Promover a valorização, a preservação e a visibilidade do rico patrimônio arqueológico no Estado do Amapá, incentivando o aluno a agir com responsabilidade e informação na sua área de atuação profissional, de maneira a minimizar riscos ao patrimônio arqueológico.

5 Público Alvo

O público-alvo deste curso de especialização são alunos egressos de cursos de graduação em Arqueologia, História, Ciências Sociais, Geologia, Geografia, Arquitetura, Ciências Ambientais, Museologia, Artes Plásticas, Oceanografia, Biologia e outros, a critério do colegiado do curso. Também são considerados como público-alvo graduados de qualquer área que já desenvolveram ou estejam desenvolvendo atividades relacionadas à pesquisa arqueológica ou à gestão de acervos arqueológicos.

6 Concepção do Programa

O programa do Curso de Especialização Lato Sensu em Patrimônio Arqueológico da Amazônia foi elaborado com o objetivo de oferecer aos alunos uma formação geral em patrimônio arqueológico e história indígena com foco sobre a região amazônica, buscando fortalecer a capacitação de recursos humanos e a sensibilização de agentes locais para a valorização, proteção e estudo do patrimônio arqueológico. O curso tem o objetivo de formar profissionais capacitados à participação em projetos de pesquisa e gestão de patrimônio arqueológico, ao ensino – em escolas e universidades – de temáticas relacionados a patrimônio arqueológico e história indígena, e a uma prática responsável em relação ao patrimônio arqueológico em outras áreas de atuação.

Um foco sobre aportes teórico-metodológicos, aparente de forma transversal em todas as disciplinas oferecidas, pretende ainda inserir os alunos nos debates contemporâneos sobre a construção do conhecimento arqueológico e científico em geral, de maneira a capacitar estes profissionais a posicionarem-se criticamente em relação à produção científica e à sua interação com a sociedade. O programa do curso expressa ainda uma preocupação sobre o papel social dos profissionais que atuam com o patrimônio arqueológico, enfatizando-se suas responsabilidades não apenas com a proteção deste patrimônio, mas também com sua interação com as diversas comunidades que vivem no entorno de sítios arqueológicos, contribuindo para atuações eticamente pautadas voltadas para o desenvolvimento social e cultural de toda população.

O curso visa ainda oferecer aos alunos experiências na prática de pesquisa arqueológica em campo e laboratório, através de duas disciplinas práticas. A primeira delas, com foco na pesquisa de campo, será realizada no âmbito de um dos projetos em andamento desenvolvidos pela Gerência de Pesquisa Arqueológica do IEPA, dentro do Estado do Amapá. Esta prática será realizada em um período de 20 dias.

A prática de laboratório será realizada nas dependências da Gerência de Pesquisa Arqueológica do IEPA, quando serão manipuladas peças oriundas de coleções arqueológicas guardadas naquela instituição. As vivências de campo e de laboratório devem permitir aos alunos, além da experiência prática, a seleção de temas locais para o desenvolvimento de suas monografias finais.

Além das dezesseis disciplinas oferecidas no curso, palestras e cursos de extensão também devem ser oferecidos – em caráter opcional – para ampliar e fortalecer a formação complementar, em especial sobre temas pouco desenvolvidos nas disciplinas, como turismo e arqueologia, análise de material ósseo, geologia e geofísica, museologia e educação patrimonial.

7 Coordenador do Curso

Nome Completo: Mariana Petry Cabral

Sexo: Feminino

Maior Titulação Acadêmica: Mestrado

Instituição de origem: IEPA

8 Carga Horária Total: 410 horas

Carga Horária em Sala de Aula: 330 horas

Carga Horária em Atividades Práticas: 80 horas

Carga Horária no Trabalho de Conclusão de Curso: 180 horas

9 Período e Periodicidade

Início: 05 de Abril de 2010

Término: Julho 2011

9.1 Turno de Ofertas

Diurno

( X ) Matutino

( ) Vespertino

( ) Integral

OBS: O curso de especialização será oferecido na parte da manhã, porém as disciplinas ministradas por professores convidados, que funcionarão no regime de módulos, ocorrerão na parte da tarde, para não interferir com as disciplinas regulares.

10 Conteúdo Programático

Carga Horária Período

Introdução à Arqueologia

Prof. Manuel J. M. do Calado 30 Abril 2010

Técnica de Pesquisa Científica

Profa. Mariana P. Cabral 20 Abril-Julho 2010

Arqueologia Brasileira

Prof. Maura Imazio da Silveira 20 Abril 2010

Arqueologia Amazônica

Profa. Denise P. Schaan 20 Abril 2010

Arqueologia das Guianas

Prof. Gérald Migeon

Prof. João D. M. Saldanha 20 Maio 2010

Ética e Legislação

Profa. Rosana P. M. Najjar 30 Maio 2010

Arqueologia e Comunidades

Prof. Márcia Bezerra de Almeida 20 Junho 2010

Teoria e Prática de Campo em Arqueologia

Prof. João D. M. Saldanha

Profa. Mariana P. Cabral 40 Julho 2010

TOTAL 1° SEMESTRE 200

Introdução à Arqueologia Histórica

Prof. Luis Cláudio P. Symanski 20 Agosto 2010

Introdução à Arqueologia Subaquática

Prof. Gilson Rambelli 20 Agosto 2010

Patrimônio Cultural, Memória e Identidade

Prof. José Maria da Silva 20 Ago-Nov 2010

Teoria e Prática de Laboratório

Prof. João D. M. Saldanha

Profa. Mariana P. Cabral 40 Ago-Nov 2010

Introdução a Técnicas de Geoprocessamento aplicadas a Estudos Arqueológicos

Profa. Valdenira F. Santos 30 Ago-Nov 2010

Introdução à Etnologia Ameríndia

Profa. Dominique T. Gallois 40 Setembro 2010

Teorias da Arqueologia

Prof. José Alberione dos Reis 20 Setembro 2010

Conservação e Curadoria de Material Arqueológico

Profa. Sílvia C. Lima 20 Novembro 2010

TOTAL 2° SEMESTRE 210

Disciplina: INTRODUÇÃO À ARQUEOLOGIA

Docente(s): Prof. Manuel João Maio do Calado

Carga Horária: 30 horas

Ementa da Disciplina:

A Arqueologia: evolução da prática e dos conceitos, desde os coleccionistas até à atualidade. A Arqueologia no contexto das Ciências Humanas: Arqueologia e História; Arqueologia e Antropologia; Arqueologia e Ciência. A Prática Arqueológica contemporânea: O conceito de sítio arqueológico; Estratigrafia e estruturas – Conceitos, Artefatos e Ecofatos, Tafonomia; Métodos de pesquisa, análise e registro - Métodos e técnicas de prospecção arqueológica, Métodos e técnicas de escavação arqueológica, Métodos de datação. Arqueologia e Cultura. Arqueologia e Ordenamento do Território. Tutela e Protecção do Patrimônio Arqueológico: O conceito de Patrimônio Arqueológico, b) O estatuto de protecção de sítios arqueológicos. Conservação e Restauro do Património Arqueológico.

Patrimônio e Turismo. Ética profissional. Arqueologia e Educação Patrimonial.

Bibliografia Básica:

ALARCÃO, J. 1996. Para uma conciliação das Arqueologias. Porto.

ALARCÃO, Jorge. 2000. A escrita do Tempo e a sua Verdade. Coimbra: Quarteto Editora.

ASHMORE, W. and SHARER, R.J. 1996. Discovering our Past. A Brief Introduction to Archaeology. Mountain View: Mayfield Publishing Company.

BARKER, P. 1986. Understanding Archaeological Excavation. London: Batsford.

BICHO, N. 2006. Manual de arqueologia Pré-histórica. Lisboa: Ed. 70.

CARANDINI, A. (1997) - Historias en la tierra. Manual de excavación arqueológica, Editorial Crítica, Barcelona.

DJINDJIAN, F. 1991. Méthodes pour l'Archéologie. Paris : Armand Colin.

FERNANDEZ MARTíNEZ, V. M. 1993. Teoría y método de la Arqueología. Madrid : Ed. Sintesis.

GALLAY, A. 1986. L’Archéologie demain. Paris: Belfond.

GREEN, K. 2002. Archaeology: An Introduction http://www.staff.ncl.ac.uk/kevin.greene/wintro/ (Consultado em 5 de Dezembro 2009).

GUTIÉRREZ LLORET, S. 1997. Arqueología. Introducción a la história material de las sociedades del pasado. Alicante: Publicaciones de la Universidad de Alicante.

HARRIS, E.C. 1991. Principios de estratigrafía arqueológica. Barcelona: Ed. Crítica.

HODDER, I.; ORTON, C. 1990. Análisis espacial en arqueologia. Barcelona: Ed. Crítica.

RENFREW, Colin & Paul BAHN. 1996. Archaeology - Theories, Methods and Practice. London: Thames & Hudson. 608p.

TRIGGER, Bruce G. 2004. História do pensamento arqueológico. São Paulo: Odysseus Editora. 477p.

WHEATLEY, A. 2009. Introduction à l'archéologie. Paris: Usborne Publishing.


Disciplina: TÉCNICA DE PESQUISA CIENTÍFICA

Docente(s): Profa. Mariana Petry Cabral

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: O objetivo da disciplina é apresentar os conceitos e métodos da pesquisa científica, de modo a instrumentalizar o aluno para a elaboração de artigos, resenhas, relatórios e projetos de pesquisa. A disciplina também vai fornecer elementos teórico-metodológicos sobre o conceito de ciência e o desenvolvimento do pensamento ocidental, contribuindo para a capacitação do aluno para a análise crítica da produção científica.

Bibliografia Básica:

ECO, Umberto. Como se Faz uma Tese. 14ª ed. São Paulo: Perspectiva S.A. 1996.

KUHN, T.S. 2003. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo, Perspectiva. 264p.

LATOUR, B. 2001. A Esperança de Pandora. Bauru, EDUSC. 372p.

POPPER, Karl Raimund. 2006. A lógica da pesquisa científica.

RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. Petrópolis: Ed. Vozes, 1986.


Disciplina: ARQUEOLOGIA BRASILEIRA

Docente(s): Profa. Maura Imazio da Silveira

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: Será apresentado um breve panorama sobre a Arqueologia Brasileira a partir da cronologia de ocupação do território em questão, com ênfase no período pré-colonial, indicando os diferentes tipos de sítios arqueológicos registrados, as estratégias de subsistência e interação cultural dos grupos ao meio-ambiente.

Bibliografia Básica:

BARRETO, C. – A Construção de Um Passado Pré-Colonial: uma breve história da Arqueologia no Brasil. Revista USP, nº44, Arqueologia Brasileira I. pp.32-52, 1999-2000.

EREMITES, J.O.; Viana, S. – O Centro-Oeste Antes de Cabral. A Construção de Um Passado Pré-Colonial: uma breve história da Arqueologia no Brasil. Revista USP, nº44, Arqueologia Brasileira I. pp.142-187, 1999-2000.

ETCHEVARNE, C. A Ocupação Humana no Nordeste Brasileiro antes da Colonização Portuguesa. Revista USP, nº44, Arqueologia Brasileira I. pp. 112-141, 1999-2000.

GASPAR, Madu - Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000. (Descobrindo o Brasil)

GASPAR, Madu - Arte Rupestre no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003 (Coleção Descobrindo o Brasil)

MORAIS, J. L. – Arqueologia da Região Sudeste. Revista USP, nº44, Arqueologia Brasileira I. pp.194-217, 1999-2000.

PROUS, André. - Arqueologia Brasileira. Brasília: DF: Ed. UnB, 2ª ed., 2003.

SCHAAN, D.P. – Uma janela para a pré-história colonial da Amazônia: olhando além – e apesar – das fases e tradições. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v.2, n.1, 77-90, janeiro/abril, 2007.

SILVA, H.P.; RODRIGUES-CARVALHO, C. – (Orgs.) – Nossa Origem: o povoamento das Américas – visões multidisciplinares. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2006.

TENÓRIO, M.C. (Ed.). 1999. Pré-História da Terra Brasilis. Rio de Janeiro, Editora UFRJ. 376p.


Disciplina: ARQUEOLOGIA AMAZÔNICA

Docente(s): Profa. Denise Pahl Schaan

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: Curso que aborda a ocupação humana da Amazônia desde a transição do pleistoceno para o holoceno até a conquista européia, examinando as diversas pesquisas realizadas, os dados empíricos produzidos e o debate teórico que vêm norteando as interpretações sobre o desenvolvimento social e cultural na região. Estuda também as diversas metodologias de pesquisa empregadas e as categorias de dados produzidos em termos de seu potencial para a interpretação do desenvolvimento social e entendimento das mudanças culturais no longo termo.

Bibliografia Básica:

BALÉE, William. Biodiversidade e os índios amazônicos. In: Amazônia: etnologia e história indígena. Editado por Viveiros De Castro, Eduardo; Cunha, Manuela Carneiro, pp. 385-393. São Paulo: NHII-USP-FAPESP, 1993.

CARNEIRO, Robert L. "A Base Ecológica dos Cacicados Amazônicos". Revista de Arqueologia 20:117-154, 2007.

GOMES, Denise M. Padrões de organização comunitária no baixo Tapajós: o formativo na área de Santarém, Brasil. In: Pueblos y Paisajes Antiguos de la Selva Amazónica. Editado por Morcote, Gaspar; Mora, Santiago; Franky, Carlos, pp. 237-254. Bogotá, Washington: Taraxacum, 2006.

HECKENBERGER, Michael J. Estrutura, história e transformação: a cultura Xinguana na long durée, 1000-2000 d.C. In: Povos do alto Xingu: História e cultura. Editado por Heckenberger, Michael J.; Franchetto, Bruna, pp. 21-62. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2001.

NEVES, Eduardo Góes. "O lugar dos lugares. Escala e intensidade das modificações paisagísticas na Amazônia Central pré-colonial em comparação com a Amazônia contemporânea". Ciência & Ambiente 31:79-91, 2005.

PORRO, Antonio. O Povo das Águas : Ensaios de Etno-história Amazônica. Petrópolis, São Paulo: Vozes, Edusp, 1996.

ROOSEVELT, Anna C. The development of prehistoric complex societies: Amazonia: a tropical forest. In: Complex Polities in the Ancient Tropical World. Editado por Bacus, Elisabeth A.; Lecero, Lisa J., pp. 13-33, 1999.

SCHAAN, Denise Pahl. "A Amazônia em 1491". Cadernos de Ciências Humanas. UESC - Dossiê sobre Arqueologia, 2009 (no prelo).



Disciplina: ARQUEOLOGIA DAS GUIANAS

Docente(s): Prof. Gérald Migeon e Prof. João Darcy de Moura Saldanha

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: Apesar de fazer parte da Amazônia, a região das Guianas (incluindo o Amapá) possui características geográficas singulares, tais como sua insularidade, a adjacência com foz do maior rio do mundo e a ligação costeira com a região caribenha. Estas características parecem se refletir na arqueologia da região, na forma da maior diversidade cultural da pré-história amazônica. A presente disciplina procura abordar a ocupação humana da região das Guianas, desde a transição do pleistoceno para o holoceno até a conquista européia, abordando os dados empíricos produzidos até o momento e inserindo-os no debate teórico que vem guiando as interpretações sobre a pré-história da Amazônia.

Bibliografia Básica:

BOOMERT, A. 2004. Koriabo and the Polychrome Tradition: the Late-prehistoric Era Between the Orinoco and Amazon Mouths. In DELPUECH, A. & C. HOFMAN (eds). Late Ceramic Age Societies in the Eastern Caribbean. Oxford, Archeopress. (BAR International Series; 1273, Paris Monographs in American Archaeology;14).

MEGGERS, B.J. & C. EVANS. 1957. Archaeological investigations at the mouth of the Amazon. Bulletin of the Bureau of American Ethnology. (167) p.1-664.

ROSTAIN, S. 1994. L'Occupation Amérindienne Ancienne Du Littoral de Guyane. Tese de Doutoramento. Paris: Centre de Recherche en Archaeologie Precolombienne(CRAP), Université de Paris I.



Disciplina: ÉTICA E LEGISLAÇÃO

Docente(s): Profa. Rosana Pinhel Mendes Najjar

Carga Horária: 30 horas

Ementa da Disciplina: A disciplina pretende proporcionar ao aluno o contato com as cartas patrimoniais e a legislação referentes à proteção do patrimônio arqueológico, assim como as normas e portarias que disciplinam intervenções em sítios e coleções arquelógicas. Discute as questões éticas relacionadas aos vários papeis do arqueólogo enquanto cientista ou professor.

Bibliografia Básica: A bibliografia é formada pela legislação de preservação do patrimônio arqueológico, as Cartas Patrimoniais, códigos de ética e congêneres.



Disciplina: INTRODUÇÃO À ETNOLOGIA AMERÍNDIA

Docente(s): Profa. Dominique Tilkin Gallois

Carga Horária: 40 horas

Ementa da Disciplina: Curso de introdução à etnologia ameríndia, iniciando com uma apreciação das questões teóricas envolvidas na chamada “questão indígena” - direitos de minorias, política indigenista, etnicidade - para em seguida tratar do desenvolvimento da reflexão teórica na disciplina, a partir de algumas abordagens das formas de organização social e estruturas cosmológicas indígenas.

Bibliografia Básica:

ALBERT, B. & RAMOS, A. 2002. Pacificando o branco: cosmologias do contato no Norte-Amazônico. IRD & UNESP.

CARNEIRO DA CUNHA, M. (org). 1992. História dos Índios no Brasil. Cia. das Letras.

CARNEIRO DA CUNHA, M. 2009. Cultura com aspas. Cosac Naify.

GALLOIS, D.T. (org). 2005. Redes de relações nas Guianas. Humanitas / NHII.

LANGDON, Jean (org). 1996. Xamanismo no Brasil. UFSC.

LÉVI-STRAUSS, C. 1993. História de Lince. Cia das Letras.

OLIVEIRA Jr., J. Pacheco. 1999. Ensaios em antropologia histórica. UFRJ.

VIVEIROS DE CASTRO, E. 2002. A inconstância da alma selvagem. Cosac Naify.



Disciplina: TEORIA E PRÁTICA DE CAMPO EM ARQUEOLOGIA

Docente(s): Prof. João Darcy de Moura Saldanha e Profa. Mariana Petry Cabral

Carga Horária: 40 (20 horas teóricas/ 20 horas práticas)

Ementa da Disciplina: A presente disciplina pretende, através de discussões teóricas e práticas de campo, introduzir o aluno às principais técnicas de pesquisa arqueológica em campo, compreendendo o levantamento, a delimitação dos sítios, a escavação e registro de estruturas e artefatos, a coleta e acondicionamento de artefatos e amostras, e a interpretação do registro arqueológico.

Bibliografia Básica:

RENFREW, C. & BAHN, P. 1996. Archaeology: Theories, Methods and Practice. Londres, Thames and Hudson.

VACHER, S., S. JEREMIE & J. BRIAND (Eds). 1998. Amerindiens du Sinnamary (Guyane): Archeologie en forêt équatoriale. Documents d´Archeologie Française - Archaeologie Preventive - Barrage de Petit Saut. Paris, Maison des Sciences de l´Homme.



Disciplina: INTRODUÇÃO À ARQUEOLOGIA HISTÓRICA

Docente(s): Prof. Luis Cláudio P. Symanski

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: Abordagens explanatórias e interpretativas da arqueologia histórica. A cultura material dos sítios históricos: identificação e métodos de análise. O curso será dividido em três módulos. No módulo 1 serão caracterizadas as principais vertentes teóricas da arqueologia histórica e caracterizadas as principais sub-áreas da disciplina: a arqueologia urbana, a arqueologia de sítios rurais, e a arqueologia subaquática. No módulo 2 serão abordados os principais temas que têm sido contemplados pela disciplina desde a década de 1970, incluindo a busca por padrões e suas premissas subjacentes, os estudos de status sócio-econômico, análise de classes, relações de poder, identidades e cultura material, contatos culturais, etc. No módulo 3 serão discutidos os temas contemporâneos, envolvendo pós-modernidade e abordagens centradas no discurso. Pretende-se, assim, que os alunos adquiram um conhecimento inicial sobre os conceitos centrais da arqueologia histórica e sobre o potencial da disciplina.

Bibliografia Básica:

BEAUDRY, Mary; Lauren COOK; Stephen MROZOWSKI. 2007. Artefatos e Vozes Ativas: cultura material como discurso social. Vestígios – Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica 1 (2).

DEAGAN, Kathleen. 2008. Lineas de investigación en arqueologia histórica. Vestígios – Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica 2 (1).

LIMA, Tania A. 2002. Os marcos teóricos da Arqueologia Histórica: possibilidades e limites. Revista Estudos Ibero Americanos, XXVIII (2): 7-23.

ORSER, Charles. 1992. Introdução à Arqueologia Histórica. Belo Horizonte: Oficina de Livros.

SOUTH, Stanley. 2007. Reconhecimento de padrões na arqueologia histórica. Vestígios – Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica 1 (1).

SOUZA, Marcos A. T. e Luís C. P. SYMANSKI. Análise distribucional intra-sítio em arqueologia histórica: algumas aplicações. Revista de Arqueologia, 9:25-42.

SYMANSKI, Luís C. P. 1998ª. Espaço privado e vida material em Porto Alegre no século XIX. Porto Alegre, EDIPUCRS.

___________. No prelo. Arqueologia histórica no Brasil: uma revisão dos últimos vinte anos. In: Walter Morales e Flavia Moi (orgs.) Cenários Regionais de uma Arqueologia Plural. Editora: Annablume/Acervo

TOCCHETTO, Fernanda, Shirley SANTOS, Luís Cláudio P. SYMANSKI. 1999. Programa de Arqueologia Urbana do Município de Porto Alegre, RS. Revista do CEPA, v.23, n.30, pp.75-101, 1999.



Disciplina: INTRODUÇÃO À ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA

Docente(s): Prof. Gilson Rambelli

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: O objetivo principal do curso é apresentar a Arqueologia Subaquática enquanto especialização arqueológica, e, conseqüentemente, suas possibilidades de interação com diferentes áreas do conhecimento sócio-ambiental. Para tal, serão abordados diferentes métodos e técnicas da pesquisa arqueológica subaquática, questões patrimoniais relativas à gestão e à proteção dos bens culturais submersos em águas brasileiras e internacionais, Antropologia Marítima, Turismo cultural subaquático e reflexões teóricas arqueológicas. O curso pretende tratar também da História da Arqueologia Subaquática, dos principais temas contemporâneos e de suas considerações de caráter metodológico. Os vestígios arqueológicos submersos além de comporem uma herança cultural única e não renovável de diferentes sociedades em diferente escala espaço-temporal interagem diretamente com o meio-ambiente aquático (marítimo, oceânico, fluvial, lacustre, etc) em que estão inseridos, fazendo-o atuar de maneira ativa no complexo processo de formação de um sítio arqueológico desta natureza. Assim, a preocupação com o patrimônio cultural subaquático hoje insere-se nas questões sociais e ambientais inerentes às pesquisas arqueológicas que envolvem essa temática. A abordagem científica desse patrimônio é por excelência transdisciplinar.

Bibliografia Básica:

AGOSTINHO, Pedro. Para um programa de pesquisa sobre arqueologia, história e etnografia navais da costa brasileira: o projecto Archenave. O Arqueólogo Português, Lisboa, Série 4, n. 6/7, p. 367-378, 1988/1989.

BASS, George F. Arqueologia subaquática. Lisboa: Verbo, 1969.

BLOT, Jean-Yves. O mar de Keith Muckelroy: o papel da teoria na arqueologia do mundo náutico. Al-Madan, Almada, Centro de Arqueologia, Série 2, n. 8, p. 41-55, out. 1999.

BO, João Batista Lanari. Proteção do patrimônio na Unesco: ações e significados. Brasília: UNESCO, 2003.

La Convención de la UNESCO sobre la Protección del Patrimonio Cultural Subacuático. UNESCO, 2001.

LIVRO Amarelo: Manifesto Pró-Patrimônio Cultural Subaquático Brasileiro. Campinas: Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (CEANS), do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (NEE / UNICAMP), 2004.

MINISTÉRIO DA CULTURA. Comissão de Arqueologia, História e Etnografia Naval. Archenave: patrimônio cultural naval do Brasil. Brasília: SPHAN Pró-Memória: Banco Central, 1990. 52 p.

RAMBELLI, Gilson. Arqueologia até debaixo d’água. São Paulo: Maranta, 2002.

______. Os desafios da Arqueologia Subaquática no Brasil. Revista História & História. Disponível em: www.historiaehistoria.com.br . Acesso em: 01/09/2004.

______. Reflexões sobre o patrimônio cultural subaquático e a Arqueologia. In: Os caminhos do patrimônio no Brasil. (Organizadores: Manuel Ferreira Lima Filho e Marcia Bezerra). Goiânia: Alternativa, 2006, p.153-69.

______. Preservação sob as ondas: a proteção do patrimônio subaquático no Brasil. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Patrimônio Arqueológico: o desafio da sua preservação. Organizador: Tânia Andrade Lima. Rio de Janeiro: IPHAN, n 32, 2007, pp. 136-51.

______. Mergulhar para conhecer e divulgar: Arqueologia Subaquática e cidadania. In: Aline Vieira de Carvalho; Inês Virgíia Prado Soares; Pedro Paulo Abreu Funari; Sergio Francisco Monteiro da Silva. (Org.). Arqueologia, direito e democracia. Erechim: Habilis, 2009, v. 1, p. 257-272.



Disciplina: PATRIMÔNIO CULTURAL, MEMÓRIA E IDENTIDADE

Docente(s): Prof. José Maria da Silva

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: Conceito e concepções históricas de cultura. O que é patrimônio cultural. A invenção do patrimônio: monumento histórico e conservação. Patrimônio, memória histórica e memória coletiva. O patrimônio como elemento de identidade. Patrimônio cultural no Brasil. Políticas de preservação e patrimônio cultural e identidade nacional. Patrimônio material e imaterial. Patrimônio cultural e diversidade.

Bibliografia Básica:

ABREU, Regina e CHAGAS, Mário (Orgs). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2003.

CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. São Paulo: Editora UNESP.

FONSECA, Maria Cecília L. O patrimônio em processo: trajetória da política federal de preservação no Brasil. Rio de Janeiro: Editora UFRJ: IPHAN, 1997.

GONÇALVES, José Reginaldo S. A retórica da perda: os discursos do patrimônio cultural no Brasil. Rio de Janeiro: Editora UFRJ; IPHAN, 1996.

GONÇALVES, José Reginaldo S. Autenticidade, memória e ideologias nacionais: o problema dos patrimônios culturais. Em: Neide Esterci, Peter Fry e Mirian Goldenberg (Orgs). Fazendo antropologia no Brasil. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2001.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva: São Paulo: Centauro, 2004.

KUPER, Adam. Cultura: a visão dos antropólogos. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2002.

Oliveira, Lucia Lippi. Cultura é patrimônio: um guia. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2008.

TEIXEIRA, João G.L.C., GARCIA, Marcos V.C. e GUSMÃO, Rita (Orgs). Patrimônio imaterial, performance cultural e (re)tradicionalização. Brasília: ICS-UnB, 2004.

TEMPO BRASILEIRO, Revista. Patrimônio imaterial. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, n. 147, 2001.



Disciplina: TEORIA E PRÁTICA DE LABORATÓRIO EM ARQUEOLOGIA

Docente(s): Prof. João D. M. Saldanha e Profa. Mariana P. Cabral

Carga Horária: 40 (20 horas teóricas/ 20 horas práticas)

Ementa da Disciplina: A disciplina pretende oferecer ao aluno o contato com a prática de laboratório na pesquisa arqueológica, desde a higienização das peças vindas de campo, até os diferentes processos de análise e interpretação, com ênfase em material lítico e cerâmico.

Bibliografia Básica:

ANDREFSKY, W. 1998. Lithics: macroscopic approaches to analysis. Cambridge, Cambridge University Press.

BOËDA, E. 2004. Uma antropologia das técnicas e dos espaços. Habitus, v. 2, n. 1, p. 19-50.

GOMES, M.D. 2002. Cerâmica Arqueológica da Amazônia: Vasilhas da Coleção Tapajônica MAE-USP. Fadesp\Edusp\Imprensa Oficial SP, São Paulo.

HOELTZ, S. 2005. Tecnologia Lítica: uma proposta de leitura para a compreensão das indústrias líticas do Rio Grande do Sul, Brasil, em tempos remotos. FFCH/ PPGH. Porto Alegre, PUC-RS.

LA SALVIA, F. & BROCHADO, J.P. 1989. Cerâmica Guarani. Posenato Arte e Cultura, Porto Alegre.

RICE, P. 1995. Pottery Analysis: a Source Book. Chicago University of Chicago Press.



Disciplina: INTRODUÇÃO A TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO APLICADAS A ESTUDOS ARQUEOLÓGICOS

Docente(s): Profa. Valdenira Ferreira dos Santos

Carga Horária: 30 horas

Ementa da Disciplina:

Cartografia: Sistemas de projeções cartográficas, sistemas de coordenadas terrestres, datum geodésico, leitura de mapas (planimétrico e altimétrico), convenções cartográficas, escalas e suas limitações, toponímia e sua importância para a arqueologia (exemplo do Estado do Amapá). GPS: conceitos, métodos de coleta e transferência automática de dados, limitações dos diversos aparelhos. SIG: histórico, conceitos básicos e suas características básicas, modelos e formato de dados geográficos e topologia, exemplos de SIG, exemplo de construção de uma base de dados para elaboração de um SIG: dificuldades e potencialidades. Introdução do Sensoriamento Remoto: principais sensores remotos, imagens: características, leitura e registro de imagens, interface com a cartografia e SIG e exemplo de possíveis aplicações na arqueologia. Interpretação de imagens e dados de sensores remotos aplicados a estudos arqueológicos (importância do relevo e geologia). Trabalho prático envolvendo aplicação da disciplina em estudos arqueológicos.



Disciplina: TEORIAS DA ARQUEOLOGIA

Docente(s): Prof. José Alberione dos Reis

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: Principais teorias arqueológicas que compõem a produção do conhecimento. Distinções epistêmicas no campo da teoria, com enfoque para a teoria arqueológica. Abordagens contemporâneas de caráter epistemológico, metodológico e de estudos de caso que abranjam contextos pré-coloniais e pós-coloniais em termos teóricos e arqueológicos. Teorias e temática sóciopolítica que imbriquem Arqueologia e demais campos do conhecimento.

Bibliografia Básica:

HODDER, Ian. Interpretación en arqueología - corrientes actuales. Barcelona, Crítica, 1994.

JOHNSON, M. Teoria arqueológica: una introducción. Barcelona, Ariel, 2000.

TRIGGER, B. História do pensamento arqueológico. São Paulo, Odysseus, 2000.



Disciplina: ARQUEOLOGIA E COMUNIDADES

Docente(s): Profa. Márcia Bezerra de Almeida

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina: Arqueologia e contexto social. As representações sociais da Arqueologia. A construção do(s) passado(s). Arqueologia e Comunidades de Descendentes. Arqueologia Comunitária. Estudos de Caso.

Bibliografia Básica:

BEZERRA DE ALMEIDA, M. – O público e o patrimônio arqueológico: reflexões para a arqueologia pública no Brasil.Habitus, v.2, n.1, pp. 275-296, 2003.

FUNARI, P. P. de A. A Arqueologia Publica na América Latina e seu Contexto Mundial. Revista Fronteiras, 6 (11), p. 87-96, Campo Grande, 2002.

GREEN, F.L.; GREEN, D.R. & GOÉS NEVES, E. 2003. “Indigenous Knowledge and Archaeological Science”. Journal of Social Archaeology, 3(3): 365-397.

HECKENBERGER, M. – Entering the Agora: archaeology, conservation and indigenous peoples in the Amazon. In: Colwel-Chanthaphonh, C.;Ferguson, T.J. (eds) – Collaboration in Archaeological Practice: engaging descendants communities. Altamira Press, 2008, p.243-272,

HILBERT, K. – Qual o compromisso social do arqueólogo brasileiro? Revista de Arqueologia, v.19, p.89-102, 2006.

MOSER, S. et al – Transforming Archaeology through practice: strategies for collaborative archaeology and the Community Archaeology Project at Quseir, Egypt. In: Marshall, Y. – Community Archaeology. Routledge, 2002, pp. 220-248.

NAJJAR, R. – Arqueólogos e Comunidade: parceiros ou rivais. Revista de Arqueología Americana. n. 21, Instituto Panamericano de Geografia e História, México, 2002.

PYBURN, K.A. Archaeology for a New Millenium: the rules of engagement. In: Derry, L.; Malloy, M. – Archaeologists and Local Communities: partners in exploring the past. Washington: SAA, 2002.pp.167-184.

SCHAAN, D.P. – Múltiplas Vozes, Memórias e Histórias: por uma gestão compartilhada do patrimônio arqueológico na Amazônia. Revista do Patrimônio, n.33, Patrimônio Arqueológico: o desafio da preservação. T.A. Lima (org.), 2007, pp. 109-129.



Disciplina: CONSERVAÇÃO E CURADORIA DE MATERIAL ARQUEOLÓGICO

Docente(s): Profa. Silvia Cunha Lima

Carga Horária: 20 horas

Ementa da Disciplina:

Conhecimento de aspectos gerais das etapas envolvidas no processo de curadoria de materiais arqueológicos. Primeiras intervenções sobre o material arqueológico: reconhecimento do material e sua condição de preservação e fragilidade - interação dos materiais com o ambiente. Primeiras intervenções e seu significado na totalidade do processo de curadoria e estudo do material arqueológico - material cerâmico, lítico e ósseo. Ações para conservar – prevenção, intervenção, preservação. Produtos para a conservação: uma análise dos guias para arqueólogos. O papel da conservação em campo.

Bibliografia Básica:

AFONSO, Marisa C.; Silvia C.M. PIEDADE; José L. MORAIS. Organização e Gerenciamento do Acervo Arqueológico Pré-Histórico Brasileiro no MAE/USP: o projeto CAB. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, São Paulo, 9: 223-238, 1999.

CRONYN, J.M.. Conservations in Field Archaeology. London: Routledge, 1990. (reprinted 1992, 1995, 1996)

GLANTZ, Renata Schneider (org.). Conservación ‘in situ’ de materiales arqueológicos. Espanha: Instituto Nacional de Antropología e História, 2001.

LORÊDO, Wanda Martins. Manual de Conservação em Arqueologia de Campo. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural, 1994.

MENDES, Marylka (org.). Conservação: conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2001.

RECA, Maria M.; Diego GOBBO. Analisis Descriptivo y Documentación de Colecciones Etnográficas. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, São Paulo, 8: 241-255, 1998.



11 Corpo Docente

Nome: DOMINIQUE TILKIN GALLOIS

Titulação: Doutora

Experiência Acadêmica e Profissional: Possui graduação em Sciences Sociales Economiques et Politiques pela Université Libre de Bruxelles (1974), mestrado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1980) e doutorado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1988). Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo e coordenadora do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo (NHII). É professor colaborador e orientador no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Tropical da Universidade Federal do Amapá. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnologia e História Indígena, atuando principalmente nos seguintes temas: tradições orais e cosmologias ameríndias, políticas indígenas, patrimônio cultural e conhecimento tradicional. Coordena e participa de projetos de pesquisa nacionais e internacionais. Desenvolve atividades de assessoria direta a comunidades indígenas no Amapá e norte do Pará, colaborando com órgãos públicos e organizações não governamentais em programas de formação indígena.



Nome: GÉRALD MIGEON

Titulação: Doutor

Experiência Acadêmica e Profissional: Doutor em arqueologia pela Universidade de Paris I – Sorbonne. É Curador do Ministère de la Culture, Service Régional de l’Archéologie de Guyane. Pesquisador da unidade UMR 8096-Archéologie des Amériques, do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Participou de projetos arqueológicos no México e na Guiana Francesa.



Nome: GILSON RAMBELLI

Titulação: Doutor

Experiência Acadêmica e Profissional: Possui graduação em História pela Universidade de São Paulo (1991), mestrado em História pela Universidade de São Paulo (1991), especialização em Arqueologia Subaquática na França (1992), mestrado em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (1998), doutorado em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (2003) e pós-doutorado em Arqueologia Subaquática pelo Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (2004-2007). Atualmente é Professor Adjunto I do Núcleo de Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe; Bolsista de Produtividade Científica do CNPq - Projeto: Carta Arqueológica Subaquática de Sergipe; Vice-Diretor do Campus de Laranjeiras da Universidade Federal de Sergipe (desde 29/07/09); Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Sergipe; Pesquisador Associado do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA; Pesquisador do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (CEANS), do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM / UNICAMP); Pesquisador Associado do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas e Membro efetivo do International Committee on Underwater Cultural Heritage / Internacional Council of Monuments and Sites (ICUCH / ICOMOS). Foi Vice-Presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira (gestão 2007-2009) e autor do Livro "Arqueologia até debaixo d'água" (E. Maranta, 2002). Tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Arqueologia Subaquática, atuando principalmente nos seguintes temas: Arqueologia subaquática / náutica / marítima; patrimônio cultural subaquático; Arqueologia Histórica; Arqueologia Pública, gestão do patrimônio cultural e educação patrimonial. É líder de Grupo de Pesquisa do CNPq em Arqueologia Marítima, Coordenador do Laboratório de Arqueologia de Ambientes Aquáticos do Núcleo de Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe (LAAA / NAR / UFS), e Membro da Comissão Coordenadora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (COMPIBIC - UFS).



Nome: JOÃO DARCY DE MOURA SALDANHA

Titulação: Mestre

Experiência Acadêmica e Profissional: Possui graduação em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002) e mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2005). Atualmente é pesquisador da Gerência de Pesquisas Arqueológicas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá. Tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Arqueologia Pré-Colonial, atuando principalmente nos seguintes temas: Teoria e Método em arqueologia, pré-história da Amazônia e cerâmica arqueológica.



Nome: JOSÉ ALBERIONE DOS REIS

Titulação: Doutor

Experiência Acadêmica e Profissional: possui graduação em HISTÓRIA pela Universidade de Caxias do Sul (1993), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1997) e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2004). Atualmente é professor e pesquisador da Universidade de Caxias do Sul . Tem experiência no ensino na pesquisa em áreas da Arqueologia atuando principalmente nos seguintes temas:teoria em arqueologia, arquelogia pré-colonial, arqueologia brasileira, arqueologia pós-colonial e arqueologia de salvamento.



Nome: JOSÉ MARIA DA SILVA

Titulação: Doutor

Experiência Acadêmica e Profissional: É graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará (1985), mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (1992) e doutor em Antropologia pela Universidade de Brasília (2001). É professor adjunto da Universidade Federal do Amapá. Atualmente é Reitor da Universidade Estadual do Amapá (UEAP). Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia da Amazônia, atuando principalmente nos seguintes temas: etnografia, identidade, relações internacionais, Amazônia, globalização e Curiaú.



Nome: LUÍS CLÁUDIO PEREIRA SYMANSKI

Titulação: Doutor

Experiência Acadêmica e Profissional: possui graduação em Arqueologia pela Universidade Estácio de Sá (1993), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1997), PhD em antropologia - arqueologia pela University of Florida (2006). Tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Arqueologia Histórica, atuando principalmente nos seguintes temas: arqueologia histórica, arqueologia da diáspora africana, comportamento de consumo, grupos domésticos. É professor adjunto do departamento de antropologia da Universidade Federal do Paraná.



Nome: MANUEL JOÃO MAIO DO CALADO

Titulação: Doutor

Experiência Acadêmica e Profissional: Concluiu a Licenciatura em História/Arqueologia, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), em 1990. Defendeu Provas de Passagem a Assistente, na FLUL, em 1995, com o trabalho “A Região da serra d’Ossa: introdução ao estudo do povoamento neolítico e calcolítico”. Realizou o Doutoramento, na Universidade de Lisboa, subordinado ao tema “Menires do Alentejo Central”, com um projeto aprovado e financiado no âmbito do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos (Portugal). Tem trabalhado no Alentejo Central (distrito de Évora), dentro de um leque cronológico-cultural que vai do Neolítico Antigo aos finais da Idade do Ferro. Interessa-se, em particular, pelo aprofundamento das técnicas de prospecção arqueológica de superfície, tendo iniciado, recentemente, experiências no campo da detecção aérea com recurso a aeronaves ultra-ligeiras. Atualmente, está iniciando um projeto de arqueologia pública com povos indígenas na Amazônia.



Nome: MARCIA BEZERRA DE ALMEIDA

Titulação: Doutora

Experiência Acadêmica e Profissional: Bacharel em Arqueologia - Faculdades Integradas Estácio de Sá (1984), Mestre em História Antiga e Medieval pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e Doutora em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (2003). Professora Adjunta de Arqueologia da Universidade Federal do Pará e do Departamento de Antropologia da Indiana University/ Estados Unidos. Coordenadora do Curso de Especialização em Arqueologia da UFPA. É representante do World Archaeological Congress na América do Sul e membro do Public Education Committee da SAA. Desenvolve projetos de arqueologia pública na Ilha do Marajó. É consultora de projetos de educação patrimonial voltados para a Arqueologia. Editora Assistente da Amazônica/UFPA, membro do corpo editorial da Archaeologies/WAC e da Latin American Antiquity/SAA. Foi Secretária Geral da Sociedade de Arqueologia Brasileira (2005-2009). Membro efetivo da Sociedade de Arqueologia Brasileira, da Associação Brasileira de Antropologia, do World Archaeological Congress, da Society for American Archaeology e do International Council of Archaeozoology. Interesses: arqueologia amazônica, arqueologia pública, patrimônio cultural, coleções, representações do passado, turismo arqueológico, ensino da arqueologia, zooarqueologia. É líder do grupo de pesquisa "Arqueologia Pública" com K.Anne Pyburn/IU.



Nome: MARIANA PETRY CABRAL

Titulação: Mestre

Experiência Acadêmica e Profissional: possui graduação em Comunicação Social - Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1998), graduação em História - Bacharelado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002) e mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2005). Atualmente tem função gratificada do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, como Gerente Geral do Projeto Pesquisa Arqueológica. Tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Arqueologia Pré-colonial, atuando principalmente nos seguintes temas: arqueologia na foz do Amazonas, megalitos, e discussões sobre teoria e metodologia em arqueologia.



Nome: MAURA IMAZIO DA SILVEIRA

Titulação: Doutora

Experiência Acadêmica e Profissional: Doutora e Mestre em Arqueologia pela Universidade de São Paulo-USP, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi/ MCT, desde 1988.



Nome: ROSANA PINHEL MENDES NAJJAR

Titulação: Doutora

Experiência Acadêmica e Profissional: Possui graduação em Arqueologia pela Universidade Estácio de Sá (1983), mestrado em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (2001) e doutorado em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (2005). Atualmente é arqueóloga do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e professora convidada da FAU, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de arqueologia, com ênfase em Preservação do Patrimônio Arqueológico, atuando principalmente nos seguintes temas: preservação, restauração, arqueologia histórica e educação patrimonial.



Nome: SILVIA CUNHA LIMA

Titulação: Especialista

Experiência Acadêmica e Profissional: Possui Bacharelado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997). Fez especialização em conservação e restauro de material cerâmico e lítico em Firenze, Itália (2000). Atualmente é coordenadora do Laboratório de Conservação e Restauro do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Conservação, com ênfase em conservação arqueológica e conservação preventiva e restauro, atuando principalmente em coleções de cerâmica, lítico e metal. Desde 2003, vem atuando em pesquisas com equipes interdisciplinares relacionadas à Arqueometria.



Nome: VALDENIRA FERREIRA DOS SANTOS

Titulação: Doutora

Experiência Acadêmica e Profissional: Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal do Pará (1993), especialização em Geociências Aplicadas ao Meio Ambiente (1997), mestrado em Geologia e Geoquímica pela Universidade Federal do Pará com área de concentração em Geologia Marinha e do Quaternário (1996) e doutorado em Geologia e Geofísica Marinha (2006) aplicando dados de sensores remotos em avaliação de mudanças ambientais. Atualmente é pesquisadora do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá e professora no Curso de Mestrado Integrado em Desenvolvimento Regional (MINTEG) da Universidade Federal do Amapá. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geologia Costeira e Ambiental, atuando principalmente nos seguintes temas: geologia e dinâmica costeira, sensoriamento remoto, diagnóstico sócio-ambiental e gerenciamento costeiro.



12 Metodologia de Ensino

As disciplinas serão ministradas por meio de seminários e aulas expositivas dialogadas com o uso de recursos audiovisuais. Em algumas disciplinas, de acordo com as ementas propostas, os professores irão intercalar aulas teóricas e práticas. Visitas a museus, laboratórios de pesquisa e sítios arqueológicos serão realizadas como parte dos recursos didáticos, instigando os alunos a refletirem sobre a relação entre o conteúdo em sala de aula e a realidade local. Aulas práticas de campo e laboratório serão ministradas através de projetos desenvolvidos pela Gerência de Pesquisa Arqueológica do IEPA. Uma vez que cinco professores do curso – Mariana Petry Cabral, João Darcy de Moura Saldanha, Valdenira Ferreira dos Santos, José Maria da Silva e Manuel João Maio do Calado – estão atualmente desenvolvendo projetos locais de pesquisa, alunos terão eventualmente a oportunidade de engajar-se em práticas de campo, laboratório e gabinete. Após o término do período dos créditos obrigatórios (2 semestres), os alunos deverão escolher seus orientadores para desenvolver seus trabalhos de conclusão de curso.



13 Interdisciplinaridade

A característica interdisciplinar deste curso de especialização está na própria natureza do seu principal objeto de estudo, o patrimônio arqueológico. Contribuições da história, da antropologia, da biologia, da geologia, da química, da geografia, da física são comuns na maior parte das pesquisas arqueológicas desenvolvidas na atualidade. Também no que tange a própria gestão deste patrimônio, são necessários diálogos com disciplinas como museologia, educação, arquitetura e outras. O programa pedagógico deste curso visa incentivar nos alunos uma percepção do estudo arqueológico fortemente interdisciplinar, contribuindo para a formação de profissionais abertos ao diálogo e dispostos a construir e a participar de projetos com pesquisadores de outras áreas.



14 Atividades complementares

Além das disciplinas oferecidas, os alunos devem participar de atividades fora de sala de aula. Estão previstas as seguintes atividades:

• Visita a exposições museográficas: Museu Sacaca e Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva;

• Visita à reserva técnica da Gerência de Pesquisa Arqueológica do IEPA;

• Participação em escavação e prospecção arqueológica no Estado do Amapá (a ser definido o local);

• Atividade prática no laboratório da Gerência de Pesquisa Arqueológica do IEPA.

A realização de cursos de extensão e palestras que contemplem temas pouco trabalhados nas disciplinas oferecidas no curso também contribuirá para a formação complementar dos alunos. Além disso, é prevista a realização de eventos científicos, como seminários e encontros de pesquisadores, onde os alunos possam participar como ouvintes e como apresentadores, instigando sua atuação no mundo científico.



15 Tecnologia empregada

Por ser um curso presencial, serão utilizados basicamente recursos audiovisuais, como projetores e reprodutores de filmes. Em alguns cursos, será necessária a utilização de computadores para introdução do uso de programas específicos, voltados para a manipulação de planilhas e banco de dados, geoprocessamento e tratamento de imagens.



16 Infra-estrutura física

Para a implementação do Curso de Especialização em Patrimônio Arqueológico da Amazônia, é necessário ampliar o atual acervo da biblioteca da UEAP com títulos específicos. Para tanto, foi previsto no planejamento orçamentário do curso a aquisição de 200 títulos. Além destes, sugere-se também a solicitação de doações a instituições que publiquem livros e periódicos, tais como: Museu Paraense Emílio Goeldi, Sociedade de Arqueologia Brasileira, Universidade Federal do Pará, Instituto Anchietano de Pesquisas, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e outras.



17 Critério de Seleção

O pré-requisito para o ingresso é o diploma de curso de nível superior. O aluno será avaliado através de uma prova de conhecimentos básicos na temática do curso, exame de currículo, histórico escolar de graduação e carta de intenções. É importante que o aluno demonstre ter condições de realizar todas as leituras e atividades exigidas durante o curso. É desejável, mas não obrigatório que o aluno seja capaz de ler em inglês ou francês. A experiência anterior em pesquisa arqueológica e/ou gestão de acervos arqueológicos, assim como bom desempenho durante o curso de graduação, serão considerados para efeitos de classificação.



18 Sistema de Avaliação

Os alunos serão avaliados pela freqüência, assiduidade, participação em sala de aula (realização de leituras obrigatórias e participação em seminários), desempenho nas atividades práticas, desempenho em pequenos trabalhos escritos exigidos durante o decorrer do semestre, trabalhos finais das disciplinas e monografia de conclusão. Todas as disciplinas são obrigatórias e eliminatórias, ou seja, a reprovação em qualquer disciplina causa imediatamente o desligamento do aluno do curso. Também a apresentação e a aprovação da monografia de conclusão são obrigatórias para a conclusão do curso.

Os professores, a coordenação do curso, o atendimento administrativo e as instalações físicas serão avaliados por meio de questionário de avaliação preenchido pelos alunos ao final de cada semestre.

O curso será avaliado também pela média de aprovação dos alunos e a qualidade dos trabalhos de conclusão produzidos.

19 Controle de Freqüência

A freqüência mínima exigida será de 75%. O controle será feito através de lista de freqüência.



20 Trabalho de Conclusão

O trabalho de conclusão deverá ser uma peça de trabalho científico que denote a capacidade do aluno de pensar crítica e criativamente um problema de pesquisa, adequado ao tema do curso, e utilizar de maneira adequada os meios e técnicas para solucioná-lo. Será aceito como trabalho de conclusão uma monografia. O tema e o projeto da monografia devem ser previamente aprovados pelo professor orientador, através de documento escrito à coordenação do curso. A monografia será avaliada pelo professor orientador e pela coordenação do curso, que juntos definirão a nota final. A monografia também deverá ser apresentada publicamente em um evento ao final do curso, através de apresentação oral, quando o aluno deverá responder a possíveis indagações do público e do colegiado do curso.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A diversidade é a regra

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Em fevereiro, estivemos realização escavações no sítio Rego Grande novamente. Uma pequena área (16 metros quadrados), porém mais uma vez observamos a intensa deposição de peças em sub-superfície.










Escavamos dois poços-funerários, que parecem estar associados (com deposições cerâmicas contínuas), novamente reforçando a máxima "a diversidade é a regra", já que são ambos diferentes entre si e diferentes de outros poços escavados conhecidos na arqueologia regional.









A belíssima surpresa foi a urna Aristé ricamente decorada, com acabamento muito delicado. É uma peça singular e incomum, diferente da média das urnas antropomorfas conhecidas no norte do AP e leste da Guiana Francesa.

Outra surpresa foi encontrar, na câmera lateral do poço funerário contendo esta bela peça, duas lâminas de machado polido, colocadas lado a lado, sem qualquer outro acompanhamento.
A diversidade é a regra...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Megaliths and rock art

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Gente de Pedra: uma metáfora amazónica
Manuel Calado

Resumo:
Com base na comparação entre os megalitos de Calçoene e os monumentos megalíticos europeus, pretende-se elencar as principais semelhanças e diferenças, numa perspetiva centrada na própria dinâmica da pesquisa e tendo em vista a discussão de paradigmas interpretativos referentes a duas tradições de pesquisa relativamente autónomas.
O objetivo assumido é o de delinear estratégias de pesquisa compatíveis, ultrapassando alguns dos autismos, pouco produtivos, tendo em conta que, tanto em termos materiais, como dos respectivos contextos culturais, existem pontos de confluência e intersecção.
O capital europeu, neste âmbito, deriva de uma extensa tradição de investigação, tão antiga quanto o próprio estabelecimento da arqueologia, como disciplina científica; por outro lado, a quantidade e imponência dos monumentos europeus têm contribuído para a construção de um corpus considerável.
Do lado amazónico, uma das principais vantagens é precisamente a existência de um potencial muito significativo, no campo da etnologia e, sobretudo, da etnoarqueologia, mas igualmente a disponibilidade de monumentos muito complexos e particularmente bem conservados.
Espera-se, naturalmente, que de um diálogo empenhado resultem vantagens para os dois lados do “megalitismo atlântico”: só o gesto de atravessar fronteiras, muitas vezes mais psicológicas do que físicas, pode permitir ampliar as focagens, contrastar aspetos aparentemente avulsos, criar conhecimento.
Abstract:
Based on the comparison between the megaliths of Calçoene and the megalithic monuments of Europe, we intend to list the main similarities and differences, in a perspective focused on the dynamics of research and seeking the discussion of interpretative paradigms for the two relatively autonomous traditions of research. The assumed target is to outline compatible research strategies, overcoming some autism, always little productive, given that in both materials, as their cultural contexts, there are points of confluence and intersection.
The European capital, in part, stems from a long tradition of research, as old as the establishment of archeology as a scientific discipline; on the other hand, the number and magnificence of the monuments of Europe have contributed to the construction of a considerable corpus.
On Amazonia, one of the main advantages is the existence of a very significant potential in the field of ethnology and especially ethnoarchaeology, but also the availability of very complex and very well kept monuments.
We are, of course, committed to a dialogue, expecting benefits to both sides of the “Atlantic megalithism”: only the gesture of crossing borders, often more psychological than physical, can allow opening focuses, contrast apparently loose aspects, so creating knowledge.
1. Ever increasing circles
“The reconstruction of Amazonian prehistory raises issues of general theoretical interest for our understanding of the emergence of domestication, sedentism, and social stratification in several parts of the prehistoric world.” (Hornborg 2005: 1)

No admirável mundo velho do megalitismo mundial, os monumentos amazônicos constituem um tema bastante sugestivo: desconhecidos ilustres até recentemente, apesar de referenciados, pelo menos, desde os inícios do século XX (Goeldi 1905), só agora começam a ganhar o merecido destaque, graças aos trabalhos de prospecção, de escavação, de interpretação e de divulgação, de que têm sido objeto (Saldanha e Cabral 2008).
Comparados, à partida, com os exemplares de muitas outras regiões megalíticas de outros continentes, os blocos utilizados na construção dos monumentos amapaenses são de dimensões relativamente modestas; porém, a riqueza dos espólios que os acompanham e, de certo modo, os completam, assim como o grau de conservação dos conjuntos, estão, certamente, à altura dos melhores do mundo.
Isso sem mencionar, naturalmente, o riquíssimo contexto paisagístico que, hoje em dia, os enquadra.
É possível que alguns dos resultados das pesquisas em curso, na área megalítica de Calçoene – e não apenas nos megalitos propriamente ditos - ajudem a iluminar algumas zonas de sombra no estudo do megalitismo europeu. E, mutatis mutandis, é possível também que o conhecimento acumulado e filtrado, ao longo de séculos, com o estudo de milhares de monumentos europeus, apesar das distâncias e das diferenças, seja pertinente para a abordagem de certas questões locais.
Porém, neste momento, creio que pode ser útil - sem pretender ir mais além - elencar e começar a discutir, algumas das eventuais questões comuns, não apenas em termos puramente arqueográficos, mas também em termos interpretativos.
Como escolha metodológica e, até certo ponto, simbólica, adotarei uma perspetiva de base espacial, organizando a análise em círculos concêntricos; por limitações de espaço, este exercício será mais qualitativo e genérico do que quantitativo e específico; pretende-se apenas lançar temas para discussão, assentes nos dados, certamente, mas abertos e multivocais q.b.
Não escondo que a maior parte dos comentários é conotável com os pressupostos da chamada arqueologia interpretativa. Algumas das idéias podem ser, e são provavelmente, demasiado pessoais, mas não deixam de ser, espero, transmissíveis.

1. O primeiro círculo: o Céu
“...a concretização de um conhecimento, a transformação de algo tão efêmero como a observação da natureza em uma estrutura sólida e duradoura.” Saldanha e Cabral 2008: 35)

A etnoastronomia é, na Amazônia, um precioso aliado, no estudo do megalitismo.
O interesse no movimento cíclico dos astros e em alguns dos eventos mais conspícuos é uma realidade bem conhecida, em muitas culturas indígenas regionais (Magaña 1986, 1988).
Nesses contextos, destacam-se os eventos relacionados com os ciclos do Sol e da Lua.
Estamos, por um lado, no território dos mitos que desempenham, nessas culturas, um importante papel de “accounting for the things and events of the world, both terrestrial and celestial” (Carneiro 2009: 57); para além disso, não deixam de ser formas práticas de organizar atividades quotidianas, nomeadamente de caráter social e econômico.
Porém, parece razoável admitir que a aplicação dos conhecimentos astronômicos num monumento funerário só faz sentido no domínio do simbólico.
De resto, na perspetiva da arqueoastronomia cultural, os monumentos deixaram, há muito, de ser encarados como observatórios astronômicos: as observações que eles têm implícitas foram, naturalmente, feitas a montante e foram incorporadas nos sistemas de crenças dos construtores.
No Brasil, a arqueoastronomia focou-se, até recentemente, apenas nas representações astrais que estão presentes, de forma muito explícita, na arte rupestre. Outras abordagens, estranhamente, tardaram a chegar.
Em termos globais, no universo do megalitismo, as orientações azimutais têm sido o alvo da maior parte dos estudos arqueoastronómicos: os equinócios e os solstícios, no caso do Sol, ou as pausas maior e menor, mais a Lua Cheia de Primavera, no caso da Lua, determinaram a orientação de grande parte dos monumentos europeus, algumas vezes em combinação com aspectos específicos da paisagem terrestre.
Dois exemplos marcantes destas combinações, algo complexas, foram observados em dois dos monumentos mais famosos do megalitismo europeu: Stonehenge e Almendres.
No primeiro caso, a orientação solsticial da Avenida parece sobrepor-se a uma linha geológica natural (Parker-Pearson, np); no segundo, são os alinhamentos lunares (pausa maior) entre o recinto e o ponto mais destacado do horizonte oriental que se ajustam à linha de divisória das águas dos principais rios da região (Alvim 2006).
Em Calçoene, foram observadas, de forma bastante pioneira, algumas estruturas internas, com orientações clássicas, nomeadamente em função do nascer do Sol, no Solstício de Inverno; no futuro, seria interessante testar a hipótese de eventuais coincidências com os elementos nodais da paisagem terrestre.
Mas a principal novidade, em Calçoene, sem que se conheça nenhum outro caso análogo, é a possibilidade de a inclinação de algumas pedras ser intencional e corresponder aproximadamente ao ângulo aparente, descrito pelo Sol, na sua curva descendente, no dia menor do ano.
Talvez, com base nesta evidência, seja conveniente, rever alguns dos casos europeus em que, a priori, se interpretaram algumas inclinações como irrelevantes, simplesmente estruturais, ou resultantes de fenômenos tafonômicos.
Neste diálogo transatlântico, seria também, certamente, interessante que, em Calçoene, fossem ampliados os estudos arqueoastronômicos, considerando, nomeadamente, os ciclos da Lua.
Apesar de a escavação de AP-CA-18 ter sido intencionalmente limitada e, por isso, a planta do monumento poder vir a ser melhor definida, em trabalhos futuros, é provável que ela seja do mesmo tipo que a maior parte dos recintos megalíticos portugueses e franceses: não em círculo, mas em ferradura, aberta a nascente.

Fig. 1- Planta do monumento AP-CA-18

Fig. 2 - Plantas em ferradura ou semi-círculo, dos recintos megalíticos ibéricos

Essa é também, com mais ou menos variações, a planta e a respetiva orientação, da grande maioria dos dólmenes europeus. A disposição de espaços cerimoniais em ferradura (ou semicírculo) está bem documentada também na América do Norte, como é o caso dos altares dos Kere, no Novo México (Snead e Preucel 1999: 183), mas também na Amazônia (Heckenberger 2004; Zeidler 2008: 463).
Em última análise, convém ter em mente que “a forma de ferradura, ou de semi-círculo, corresponde a uma disposição básica do habitat humano, aplicada em tendas e abrigos desde o paleolítico e até mesmo na maneira com um grupo humano se dispõe à volta de uma fogueira (Binford 1991)” (Calado 2004: 147)
Trabalhos recentes, com uma forte base estatística, permitiram atribuir aos ciclos lunares (sobretudo a Lua Cheia de Primavera) a maioria das orientações genericamente a Nascente, mas com uma certa variação. Na verdade, a observação da Lua Cheia de Primavera (ou do Outono) é o único método, de tipo puramente fenomenológico, de controlar o equinócio (da Silva 2004; da Silva e Calado 2003).
O Sol e a Lua, formas circulares por excelência, descrevem trajetórias circulares, no espaço e no tempo.
Por último, convém anotar que os alinhamentos com certos pontos-chave na paisagem, apesar da monotonia aparente da topografia da região, de horizontes quase horizontais, podem, eventualmente, fazer parte da complexa teia de relações simbólicas, “capturada” nos megalitos amazônicos.
Esse é o tema do próximo ponto.

2. O segundo círculo: para cá do horizonte
“uma paisagem rica em lugares especiais” (Saldanha e Cabral 2008: 6)

Sem relevo destacado, a paisagem terrestre de Calçoene organiza-se obrigatoriamente, num primeiro zoom, mais aberto, em função da linha de costa; porém, esta é uma realidade muito flexível, prolongando-se sazonalmente até aos limites da chamada terra firme.
Ao contrário da Europa atlântica, onde floresceu um dos mais importantes focos megalíticos, o lado do mar confunde-se com o Nascente. Se este fato participou ou não na estruturação dos monumentos, como resultado desse potencial simbólico, é uma possibilidade em aberto; no megalitismo europeu, de dispersão marcadamente litoral, tudo indica que o mar esteve presente como um elemento da dimensão polissêmica dos megalitos (Scarre 2002).
Numa escala mais próxima, e com uma presença muito melhor definida, temos os igarapés. Na terra firme, onde os megalitos de Calçoene se implantam, para além das referências no horizonte vegetal, é nos detalhes dos igarapés que a paisagem se diferencia: as cachoeiras, os afloramentos rochosos, as confluências, os canyons, as curvas…
Atualmente, o monumento AP-CA-18 mantém uma forte relação visual com o igarapé adjacente, que, nesse tramo, descreve uma curva bastante acentuada.
No mapa de distribuição dos megalitos, na área de Calçoene, pode, aliás, observar-se, principalmente na parte meridional, uma implantação preferencial dos monumentos, nas proximidades das curvas mais angulosas dos igarapés.
Ora, as curvas dos rios parecem ter determinado, em muitas culturas diferentes, situações de excepcionalidade, que podem ter contribuído para escolha desses locais, na hora da instalação de estruturas cerimoniais.
Na Europa, o próprio Stonehenge – que, como se provou, recentemente, foi também um local de enterramento – articulava-se umbilicalmente, através de uma avenida, com o rio Avon, numa área onde este apresenta um curso marcadamente sinuoso (Parker Pearson np).
Outro dos mais famosos monumentos megalíticos europeus, Newgrange (que integra um cluster muito complexo e é considerado, pelos irlandeses, um dos símbolos da sua identidade cultural), localiza-se junto a uma curva do rio (o Boyne); na verdade, a toponímia local consolidou esse aspecto: a vila adjacente denomina-se precisamente Bru na Boyne (a Curva do Boyne).
Em Portugal, um dos maiores conjuntos de arte rupestre – no vale do rio Guadiana – apresenta claramente as maiores concentrações (e a maior diversidade) de gravuras, junto das duas mais notáveis curvas do rio: o Moinho da Volta e o Moinho da Retorta (Calado, 2003).
Fig. 3 - Concentrações de arte rupestre junto das três principais curvas do rio, neste troço.

Na verdade, essa preferência paisagística observa-se igualmente no Norte da América do Sul: na Amazônia equatoriana, foi igualmente em frente de um local denominado Curva del Upano, onde esse rio descreve uma inflexão muito notória, que se construiu um dos mais notáveis conjuntos de montículos pré-colombianos (Salazar 2008: 267).

Fig. 4 - A Curva del Upano e os monumentos de terra associados.

Também os tesos do Camutins, na ilha de Marajó, aglomeram-se, num padrão muito claro, junto da curva mais acentuada desse rio (Schaan 2006).

Fig. 5 - Concentração de tesos cerimoniais, junto da curva maior do Camutins (Marajó) (Schaan 2006).

Por outro lado, num levantamento toponímico efetuado num troço do rio Negro, de “46 names, 12 refer to places where specific kinds of game are abundant, 17 to particular events in the lives of elder Suya, and 10 to geographical peculiarities such as river bends and rapids” (Hornborg 2005: 2).
Uma outra possibilidade a explorar, com base no megalitismo europeu, é a de as próprias pedras representarem metaforicamente a paisagem envolvente, ou aquela de onde provêm. Segundo Tim Darvill, “Stonehenge seems to have been built as a representation of a reality that exists in the structure and arrangement of a particular and very real place” (Darvill 2009: 48), interpretação na mesma linha de uma outra avançada, há alguns anos, a propósito de megalitos portugueses da região de Évora (Kalb 1996).

3. O terceiro círculo
3.1.O caminho das pedras
À escala do sítio, abstraindo da paisagem que o envolve, encontramos, como já referi, um modelo de planta subcircular, eventualmente aberto, com fortes analogias no megalitismo europeu.
A relação simbólica entre as plantas desses monumentos e as das cabanas tem sido recorrentemente invocada, sobretudo em contextos funerários. As moradas dos antepassados replicariam, nessa ótica, as moradas dos vivos.
No principal monumento de Calçoene – e aparentemente na maioria dos outros – existe, para além da parte visível, exterior, uma “construção” subterrânea, cuja relação global com o recinto de pedras fincadas, se desconhece ainda. Desconhece-se inclusive a seqüência: o conjunto foi concebido como um todo, ou foi, pelo contrário, sendo acrescentado por etapas? Esta última possibilidade é sugerida pelos escavadores que, em paralelo, obtiveram dados inequívocos de episódios de reutilização das estruturas subterrâneas (Saldanha e Cabral 2008).
Neste aspecto, convém realçar que o caráter cumulativo de muitos dos grandes sítios megalíticos europeus, é hoje um dado assente: Stonehenge ou os Almendres são palimpsestos, com longas histórias de construção e reconstrução.
Do ponto de vista das tipologias do megalitismo – com uma diversidade muito elevada – AP-CA-18 seria classificável, à primeira vista, como um recinto megalítico, composto por menires. A forma achatada dos blocos, não sendo a mais recorrente, tem, na Europa, alguns paralelos regionais: os melhor conhecidos são, por exemplo, Stenness, na Escócia (Scarre 2009: 14), ou Montneuf, na Bretanha (Lecerf 1999); a forma dos blocos relaciona-se, antes de mais, com o tipo de matéria-prima disponível, mas também com um conceito subjacente, em que as “pedras rudes” evocam o mundo natural.
Em Calçoene, alguns blocos foram apenas ligeiramente afeiçoados, enquanto outros talvez nem isso; esta intervenção mínima, ou mesmo nula, sobre a fisionomia natural dos blocos, é uma das características mais recorrentes das arquiteturas megalíticas.
Nas palavras de Chris Scarre, “the use of large, generally unshaped stones is indeed no ‘primitive’ architecture but the consequence of specific choice and tradition” (Scarre 2009: 4).
Tendo, como base empírica, a realidade americana, Saunders afirma mesmo que “the geological components of cultural landscapes were not inanimate physical matter, but rather were imbued with cosmological significance” (Saunders 2004: 123); neste sentido, existem motivos para assumir que os blocos poderiam já ter adquirido valor simbólico especial, antes de serem selecionados como megalitos. A identificação das fontes de matéria-prima, no caso amapaense, pode abrir, eventualmente, algumas pistas sobre essa possibilidade.
Outro tema com algum destaque no estudo do megalitismo europeu é a relação entre megalitos e arte rupestre, com diversas situações identificadas: coexistência ou complementaridade espacial e, sobretudo, casos em que, na construção dos megalitos, foram “reutilizados” blocos com gravuras.
No Amapá, a arte rupestre (pinturas) está presente, de forma inequívoca, em Maracá, num contexto geológico completamente distinto (arenitos) (Pereira 2004).
Porém, nos granitos da Amazônia oriental, existem muitos casos conhecidos com gravuras, quer em abrigos, quer nas rochas dos leitos dos rios.
Em Ferreira Gomes, a Sul de Calçoene, conhece-se apenas um caso, a Pedra do Índio, com gravuras num afloramento granítico; os temas dominantes são, decididamente, os círculos concêntricos e as espirais, e, aparentemente, “não se enquadram na Tradição Amazônia” (Pereira 2004: 376).

Fig. 6 - Círculos concêntricos da Pedra do Índio (Ferreira Gomes AP)
Fig. 7 - Potes em poços
Fig. 8 - A quadratura do semi-círculo (vasilha destruída por poço moderno, no povoado próximo do AP-CA-18)


6. O sexto círculo: ossos do ofício
No âmago do AP-CA-18, estão os ossos dos personagens enterrados cujos “fragmentos tinham várias marcas da ação de fogo, indicando sua cremação”. (Saldanha e Cabral 2008: 16).
É possível que, traduzindo algumas assimetrias sociais, os defuntos fossem, de uma forma ou de outra, uma fração mínima da sociedade que contruiu os megalitos; mas a seleção dos ossos depositados no monumento pode ser muito posterior à morte dos personagens se, como se pensa, a cremação era precedida pelo descarnamento. E, por enquanto, desconhece-se quanto tempo mediou entre uma operação e a outra.
Em qualquer caso, “human bones are powerful symbols. The bones of saints have been preserved in reliquaries in European cathedrals for centuries.“ (Young and Fowler 2000: 152); apenas guardados em locais muito especiais, de forma inamovível, ou circulando, em determinadas circunstâncias, entre os vivos, os ossos humanos valem muito para além do seu valor facial.
Moradas da alma dos mortos ou apenas mnemónicas para os vivos, os ossos foram, através de rituais elaborados, guardados como tesouros escondidos.
Claro que, na perspetiva do arqueólogo, os ossos são igualmente preciosos informantes (Zimmerman 1994:219).
Na verdade, para além dos dados da antropologia física ou das datações, os ossos, em contexto funerário, cristalizam e transportam as crenças e as acções dos vivos em relação a eles.
No caso do megalitismo funerário, é interessante observar que “stone and bone are conceptually linked in webs of symbolic meaning, because they share physical properties of hardness and durability” Boivin 2004: 16.
Bones and stones, like diamonds, are forever…

7. O sétimo círculo: natureza e cultura
Como numa matrioska russa, no monumento principal de Calçoene, cada círculo contém outros círculos. Em todos eles, de algum modo, parece projectar-se algum antropomorfismo. O Homem (e a Mulher) como medida de todas as coisas.
Este dispositivo espacial faz lembrar o Buracão do Laranjal, perto de Maracá, um sítio com pinturas rupestres: os círculos ocorrem aí, numa densidade notável, sobretudo nos tectos dos abrigos, sugerindo uma eventual dimensão “astronómica” (entre outras) para esse símbolo recorrente.

Fig. 9– Círculos concêntricos, no teto de um dos abrigos do Buracão do Laranjal.


Mas, também no Buracão, os círculos concêntricos contracenam com figuras humanas, localizadas preferencialmente nas paredes verticais dos abrigos.
De resto, os círculos concêntricos, ou as espirais, são abundantes na arte rupestre amazónica (Pereira 2001, 2003) e, como se sabe, são igualmente um dos grandes temas da arte rupestre europeia pós-paleolítica, sobretudo nas Ilhas britânicas e NW da Península Ibérica. Frequentemente, gravadas nos próprios megalitos.
Todo o monumento megalítico é uma intervenção cultural, uma transfiguração da Natureza. No Velho Mundo, os megalitos surgiram em paralelo com a neolitização: sedentarização, agricultura, cerâmica, complexificação social, crescimento demográfico, complexificação social, são, numa ordem bastante aleatória, elementos que fazem parte, na sua génese, do “pacote megalítico”
Na Europa ocidental, em particular, a introdução da agricultura (e da pastorícia) parece ter marcado uma época de ruptura, uma enorme mudança civilizacional, com evidências também em termos de expressão simbólica. A figura humana irrompe, triunfante, no Neolítico, depois de ter sido apenas vestigial e transfigurada, durante o Paleolítico (a época dos caçadores-recoletores).
Os touros e os cavalos foram superados.
Domesticaram-se as paisagens. Construíram-se monumentos.
Porém, este cenário, em pinceladas rápidas, dificilmente encaixa na moldura amazónica (Proux 2008: 578; Rostain 2008: 284).
Natureza e cultura esbatem-se; há mais tons de cinza, entre o preto e o branco.
Entre os humanos e o resto, as distâncias parecem ser mais curtas.
A arte rupestre amazónica tem antropomorfos, zoomorfos e, para (con) fundir ainda mais o filme, muitas figuras que, para chamar-lhes alguma coisa, se tem chamado de biomorfas. O mesmo acontece na decoração das cerâmicas.
Na prática, o desmatamento, na Amazónia em geral, nunca deve tido a expressão dramática da Europa neolítica.
Lá, o machado de pedra polida – o melhor indicador arqueológico da mutilação das paisagens - tornou-se num ícone: presente, em doses por vezes maciças, nas oferendas funerárias; presente na arte megalítica; abundante nos sítios de habitação.
No fundo do poço1 do sítio AP-CA-18, foi encontrada uma lâmina de machado de pedra verde, aparentemente reciclada.
Na arte rupestre amazónica, os machados aparecem representados, por exemplo, na Ilha dos Martírios, na região Tocantins-Araguaia (Pereira 2003: 114), mas, obviamente, não são um tema muito representativo.
A “ideologia neolítica” está lá, com muitos elementos comuns (os antropomorfos, os círculos concêntricos e as espirais, os machados, os megalitos, as cerâmicas, as construções em terra…) mas, no mínimo, muito diluída.
Faltou a domesticação de animais.
De resto, se é certo que a Europa, na fúria da revolução neolítica, domesticou até os touros e os cavalos, não consta que os índios tenham alguma vez domesticado a cobra grande e a onça… ou mesmo as antas, as pacas ou os porcos do mato.
Ëmetanïmpë, os Transformados.

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